Estar ou ser online?
Por Marcos Borges *
“Estar online” é um termo que poderia aparecer no dicionário, humn?! Na verdade, está mesmo no dicionário. Na grande Wikipedia (a enciclopédia livre que continua revolucionando o conhecimento humano) encontramos definição para “estar online”. E quem já usou MSN Messenger, GTalk e tantos outros, sabe bem o que é isso. Nesses comunicadores instantâneos é comum ver seus amigos quando “ficam online”.

Não quero frustrar suas expectativas sobre o futuro e passa longe de mim ser um “exato conhecedor do amanhã”. Basta um pouquinho de observação para perceber o que vou falar: somos cada vez mais online!
E não precisa falar das telas de eletrônicos cada vez menores, equipamentos mais portáteis, informação mais rápida, etc. É suficiente lembrar das redes sociais fora da Internet (relacionamento, troca de interesses, conhecimento compartilhado, etc). O que sempre fizemos ‘offline’ está se reproduzindo no ‘online’. E a recíproca é verdadeira.
Para entender melhor
Recentemente, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) anunciou os resultados da 5ª Pesquisa Sobre Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil — TIC Empresas 2009. Conduzido pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), o levantamento revelou que 65% das empresas utilizam a tecnologia celular. A pesquisa registrou também o crescimento expressivo da conexão via celular ou modem 3G, que passou de 4% em 2006 para 10% em 2009.
Outro fator que chamou a atenção é o número crescente de empresas que utilizam conexões sem fio – 41% citaram que adotam este tipo de conexão. Ao contrário do que muitos pensam, em vez de substituir, essas tecnologias vêm para somar com outros tipos de conexão.
E olha que o exemplo fala apenas de empresas. O que dizer das pessoas em geral? E da ‘internet das coisas’?
Enquanto isso
Fui buscar um material impresso numa gráfica dias atrás. Enquanto criticava olhava um panfleto na sala de espera, ouvi um técnico que consertava uma das máquinas conversando com o designer. “Moço, o povo não tem o que fazer e fica vendo vídeo no YouTube, falando de tecnologia. Até a televisão agora pede pra acessar esse tal de Twitter”, lamentava. Quase pulei da poltrona e fui até o cidadão. Mas o bom senso permitiu que minha opinião se transformasse apenas neste post. Do contrário, os esforços teriam sido em vão. Quando o problema é cultura digital, tempo, silêncio e engajamento são “anti-inflamatórios”.
Ao contrário do que pensa o técnico lá da gráfica, as pessoas têm o que fazer. E muito! A diferença está nas vias de realização… Uns assistem na TV a cabo, outros no YouTube, outros ainda apenas na TV aberta. Uns jogam futebol no campo, outros no Play Station ou até mesmo Bola no Facebook. E só pra registrar, há os que usam Twitter, os que só fofocam nas rodinhas de amigos e os que fazem as duas coisas ao mesmo tempo. Todo esse arsenal de redes, ferramentas e aplicativos nos permitem ampliar o que já fazemos há muito tempo – aprender, criar, resolver e se divertir. São novas maneiras derivadas das mudanças ao nosso redor. Algumas delas acontecendo em nós mesmos.
Quer exemplos? Os atuais órgãos de pesquisa geológica utilizam o Twitter para se informar sobre terremotos. Um astronauta, diretamente do espaço, já pode publicar fotos na Internet. Em São Paulo, com tantas vendas de telefone celular, os números de celulares terão dez dígitos, já que as combinações de oito ficaram escassas.
E a Copa do Mundo, hein?! Teremos a primeira edição em tempos de redes sociais na Internet, impactando a maneira como nos divertimos com o futebol. Nem o mundo animal escapa: as vacas russas ganharam TVs com tecnologia LED para produzir mais leite. O fazendeiro dono da estranha interessante ideia, acredita que os animais ficarão mais animados com imagens de pastos reproduzidos digitalmente.
Pra frente e sempre
Se você pensa que vida digital é um novo estilo de viver, engana-se. Isso já existia no século passado! Em 1986, época em que muitos não sabiam o que era computador, as redes sociais já eram matéria das revistas especializadas.
Então, na próxima vez que você passear ouvindo música baixada da web num iPod conectado ao carro, ouvir o palestrante falando enquanto alguém comenta via Twitter ou ver um filme em 3D, reflita: “ser” está substituindo o “estar”. Se depender da velocidade das mudanças, em pouco tempo a única semelhança entre os dois conceitos será a palavra terminada em “R” – e ainda assim, ‘R de revolução’.
* Marcos Borges é publicitário, filmmaker, especialista em cultura web e novas mídias. Fundador do Coletivo DOC7 de criatividade e conteúdo digital, analista de mídias sociais na Tron e autor do blog Gente de Conteúdo (www.gentedeconteudo.com.br).
















Excelente post!